Monday, April 5, 2010

MEU NOME É VLADIMIR!




Não faz muito tempo que a Gabriela me liga em busca de algum entretenimento casual. Pudera, ela é casada com um cara de 92 anos. Não, na verdade, ele deve ter uns 60. Ela tem 30.

Eu mesma já fui chegada nos velhotes, mas saí dessa vida. Não se ensina truques novos a cachorros velhos. Os velhotes acham que sabem tudo, nunca vão aprender com você, mas ao mesmo tempo, buscam na mulher mais nova uma solução para a crise de identidade deles. Velhotes feiosos que saem com menininhas não querem amadurecer. São um puta pé no cú, isso sim. Ou eles têm o rabo lotado de grana, só que aí é outra história.

Por essas e outras é que, quase estilo caridade, eu saio com a Gabriela.

Chego no bar, ela não está lá. Latinas são foda, sempre atrasadas.

- Meu filho, me traz uma New Castle enquanto eu espero pela Gabi, por favor. – Eu peço ao bartender.

O bar tá meio lotado, eu fico um pouco claustrofóbica. Um bando de europeus gritando, uns por cima dos outros, já bêbados. Argh! Que nojo eu tenho de pessoas amontoadas!

O bartender me serve o pint. Eu me debruço no balcão pra pegar a minha tão esperada New Castle quando...

- Mocinha! Essa cerveja é minha. – Um maldito inglês fala pra mim.
- Não, ela é minha.
- Não é, não. Eu pedi New Castle.
- Pois eu também pedi New Castle, Mr. Bean!
- Eu estava na sua frente.
- Tem seu nome escrito na cerveja?
- Você é um porre, menina.
- E você precisa de uma namorada.

Agarrei aquela New Castle como se ela fosse o Andrew Bird de cueca durante o meu período fértil. Fui andando em direção a uma mesa. O inglês grita:

- Qual é seu nome, princesa?
- Vladimir! – Eu grito de volta.

Não sei porque falei “Vladimir”. Acho que foi porque eu sempre me senti um russo, daqueles bêbados, barbudos e sem paciência. Um cara com seus quarenta e poucos anos. Sei lá, eu me sinto assim por dentro. Sabem? Esse é meu íntimo: o Vladimir. É, é isso.

No meio da confusão entre mim e o cara de fuinha britânico, o pobre do bartender se confundiu e me serviu um segundo pint.

- Queridão, você já me serviu.
- Já?
- Já. Olha aqui, bicho. Tô bebendo.
- Ah tá. Essa fica pela casa, então.
- Valeu!

Fiquei lá, com dois copos cheios me encarando. Até eu terminar a primeira cerveja, a segunda já ia estar quente. Foi aí que eu ouvi:

- Uma New Castle! – de uma mesa, sozinha, lá num cantinho do bar, uma menina magrinha grita para o bartender.

Andei até a mesa dela com a minha cerveja extra e falei:

- Aqui. Sua New Castle. Essa é por mim.

Ela olhou meio sem entender.

- Pode tomar, não tá envenenada.
- Ah, obrigada.

Ela começa a beber e eu não resisto:

- Pronto. Agora você vai ter que transar comigo, gata. Ou acha que eu saio pagando cerveja de seis dólares sem segundas intenções?

“Puta que o pariu. Eu acabei de falar isso pra uma menina? Que bosta!” – eu pensei, claro, depois de falar. Não se faz esse tipo de brincadeira com meninas, elas levam tudo a sério. Eu deveria ter sido mais sensível e falado: "Ganhei uma extra por engano, pode beber essa".

Mas ela deu risada.

Ufa! Sério mesmo: ufa!

- Meu nome é Heather. Qual é o seu?
- Vladimir.
- Vladimir?
- É, Vlad.
- Seu nome é mesmo Vladimir?
- Não, mas eu gosto desse nome. Acabei de inventar.
- Ah tá.
- Vladimir Chuvalo. Por causa do Chuvalo, sabe?
- Não, não sei. Quem é Chuvalo?
- Um boxeador.
- Latino?
- Não.
- Italiano?
- Não. Canadense.
- Um canadense chamado Chuvalo?
- Pois é, também pensei nisso quando ouvi o nome dele pela primeira vez.

Vejo a maldita da Gabriela entrando no bar. Já era hora.

- Gabriela, sua desgraça de peitos! Tô esperando por você já faz meia hora! – Eu grito.

A Gabi faz uma cara de “não tenho desculpa para estar atrasada, é falta de respeito mesmo” e vem ao meu encontro.

- Heather, legal te conhecer. Agora eu vou lá ver qual é o drama da vez com a Gabriela.
- Valeu pela cerveja, Vlad.
- Ah, sem problemas.

Alguns minutos se passam. Eu tô lá com a Gabi no bate-papo, nada muito interessante, só dramas de alguém que casou com um velho e agora precisa de picas mas entra em crise com a moral ao pensar em trair. Conhecem o tipo?

Enfim, recebo um bilhete do garçom:

“HEATHER (954) 766-7825”

Eu me mato de rir. Penso em responder o bilhete assim: “JENNY 867 5309”. Mas ah, sou boazinha, não tive coragem.

- Sbaile! O que é esse papalzinho? Pára de rir!
- Gabriela, filhota...
- Que é? Me responde!
- Esquece. Eu pago sua próxima tequila. Aliás, esse seu sapato é legal, gostei dele. Quer sair pra jantar, Gabi?
- Agora?
- É, por mim. Mas você vai ter que transar comigo depois. E ah, me chama de Vladimir.

3 comments:

schulai said...

huhauahuahua! Fiquei imaginando você valentona falando grosso e batendo o copo de cerveja na mao!

Os inlgeses tão todos frescurentos mesmo! Brigam por cerveja, mas não tem coragem de defender a mulher! rsrsrs!

Ótimo post!

bjs

tecituras said...

Gostei do Wladimir!
Mas... como é a versão contrária, digo, a mulher mais velha (sem grana) com um cara mais novo (totalmente sem grana)? se bem que ele parece mais velho! Será que ela infantilizaria????

K! said...

Caraca... Eu imaginava o Vladão menos cabeludo e barbudo! huahauaauhua

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