Friday, March 5, 2010

Você tira o chapéu para o tráfico de drogas?


“Eu tiro, seu Raul! Eu tiro!”

Agora eu pergunto: existe algo mais idiota do que temas sociais no chapéu?

O “chapéu” foi o primeiro quadro de programa televisivo que permitia ao telespectador o prazer esporádico de ver alguém famoso detonando outro alguém famoso.

Honestamente, acho gente famosa um saco! Não importa quem, não gosto nem dos famosos que eu acho legais. Sei lá, famoso enche o saco, fica causando, vira e mexe você descobre que o cara tinha esquema de tráfico de órgãos na África, ou simplesmente que ele se casou com uma mulher feia.

Na maioria das vezes, famosos são pessoas que ficaram ricas fazendo aquilo que eu e você conseguiríamos fazer muito melhor. Mas não, eles não precisam trabalhar das 9 às 5. Eles não precisam usar paletó no verão, eles não precisam fazer contas mágicas para pagar o aluguel e o IPVA no final do mês... E por quê? Porque eles tocam guitarras com calças enfiadas na bunda, ou somente usam a calça enfiada. Sabe o que acontece comigo se eu usar uma calça enfiada na bunda? Eu sou demitida!

Cansei de me decepcionar com os famosos! Por isso adoro quando eles são detonados na TV. Chamem de inveja, de gosto televisivo mórbido, de falta do que fazer, eu não tô nem aí. Quero mais é ver um detonando o outro.

Aí estou vendo aquele pentelho do Raul Gil, com aquele microfone dourado enfiado entre o peito e o queixo - já que ele não tem qualquer pescoço -, aqueles jurados que pararam de comprar roupas nos anos 80... e eu lá! Esperando pelo chapéu. Aí me vai um filho da puta e tira o seguinte chapéu:

“PROSTITUIÇÃO INFANTIL”

O quê?

Isso é ridículo! Temas sociais no chapéu deveriam ser proibidos por lei nacional! Eu quero ver o Luciano do Valle descendo o cacete no Milton Neves – porque, de fato, o Milton Neves sucks... e sucks muito hardcore!

Nessas horas eu tenho vontade de aparecer igual o Marshall McLuhan apareceu em “Noivo neurótico, noiva nervosa” e dizer:

“Eu tiro, seu Raul. Eu tiro!”

Cara, que coisa mais estúpida! É claro que ninguém vai tirar o chapéu para a prostituição infantil, tráfico de drogas, criminalidade, desigualdade social, ônibus lotado – ah, esse não, porque famoso não pega ônibus.

Enfim, se o tema é prostituição infantil, o famoso deveria falar:

“Olha seu Raul, eu tiro sim. Acho que em um mundo tão desigual, nada é melhor do que o sexo inocente. E criança é mesmo um ser inocente. Ganhar dinheiro fazendo amor desde cedo é considerado crime mas... Se você reparar, verá que existe algo muito lindo em tudo isso.”

Pensando em tudo que já me indignou em pelo menos 15 anos de “Chapéu”, criei três tipos de respostas que vivem remoendo dentro de mim para os temas sociais no chapéu. Lá vão elas:

VOCÊ TIRA O CHAPÉU PARA AS DOENÇAS VENÉREAS?

Eu tiro, seu Raul! Eu tiro! Porque sem as doenças venéreas, os homens não se preocupariam em não trair suas esposas. Doenças venéreas são um alerta natural para o perigo da luxúria! O homem cristão deve saber que não pode sair por aí traçando qualquer rabo de saia, porque pode pegar uma doença. As doenças venéreas estão para a sociedade moderna tal qual as sete pragas estavam para o Egito! Por isso, sim, eu tiro o chapéu para as doenças venéreas!

VOCÊ TIRA O CHAPÉU PARA A CORRUPÇÃO NA POLÍTICA BRASILEIRA?

Eu tiro, seu Raul! Eu tiro! A corrupção neste país é absolutamente importante para o povo brasileiro. Sem a corrupção, o brasileiro perderia toda essa capacidade de lutar, toda a humildade de saber que nasceu pobre, continua pobre e vai morrer pobre. Eu diria ainda que, a causa deste espírito humilde e conformado do povo brasileiro que tanto agrada gringos e gringas de todo o mundo é a corrupção que trabalha fortemente para manter este povo assim: contentado com pouco e fazendo churrasco na laje em um sobradinho da Avenida Cupecê. Por isso, sim, eu tiro o chapéu para a corrupção neste país!

VOCÊ TIRA O CHAPÉU PARA O PRECONCEITO?

Eu tiro, seu Raul! Eu tiro! Sem preconceito nós não teríamos Cláudia Schiffer, uma pura raça de primeira, hein, hein seu Raul? Quando começou essa mistura toda, devemos admitir que o mundo ficou mais feio. E eu, como um esteta nato, prefiro Cláudia Schiffer a Carla Perez, e o Sr. há de concordar! Pô, vai comparar um Antônio Banderas a um Vampeta? Não dá, seu Raul. Preconceito e xenofobia são as maiores armas que nós, cidadãos estetas que somos, temos para usar contra um mundo de misturas tão mal resolvidas! Por isso sim, eu tiro o chapéu para o preconceito!

E ponto, e fim!

4 comments:

Alex said...

Foda né, a mulher tem a visão do benefício dentro do universo feminino e não respeita picas do universo masculino (sem machonismos). Segue:

- Claudia Schiffer x Rainha do Tcham: Será que ela mexe tão bem o tcham na djemba quanto a Carla Perez? Alibabá e bambotcham pra você!

- Antônio Banderas x Vamp: Porra, ai você pegou pesado. Enquanto o Tonho faz filmes cafonas, cede o nome a perfume para os almofadinhas o Vamp tá dando cambalhota no Planalto (ver em http://ow.ly/1gKmg) para comemorar o Penta, tomando o vinho do Papa na casa do Ronaldo Fenômeno, sem saber da procedência, é claro, e jogando fora pq achou uma merda. De saideira, além das grandes alegrias dos títulos a nação corintiana, apelidou os torcedores do panettone do morumbi de bambis!

Eu não tiro o chapéu para a Sbaile - american idiot! rs

Beijos

Miss Sbaile said...

Deus meu! Já vou esclarecendo que essas opiniões não são minhas. Só pensei em respostas infames para defender perguntas infelizes. Beijo!

Gisele said...

Manda esse chato do Alex pro Caralho! O defensor da Carlinha - ela foi capa da Times como a mulher que mais fez plásticas! Incluso a BUNDA!Cham a Gretchen!
Vampeta! Só pq é tecnico do Corinthians junior? O melhor do Vampeta foi criar um cinema lá nos confins da Bahia. Cuspir ou rolar no Planalto? Salve o cinema de Vampeta. A população agradece!!

beijos.... e não tiro o chapéu para o Alex!

Miss Sbaile said...

Haha! Adoro vocês dois. Lindos! E sim, o Alex é um chato, como diriam os American "That's a given!". Mas devo adicionar que burro ele não é, pois falou: "Gisele vai ficar louca quando ver o que eu escrevi sobre a Carla".

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